Saúde pública


 13/06/2015 - Escrito para o Jornal da Paraíba

Políticas públicas nas esferas da educação e da saúde andam juntas. Pergunta-se se em ambas, porém, faltam recursos ou falta boa administração em função de metas e resultados? O povo pobre enfrenta filas intermináveis por falta de atendimento primário. Sem sucesso, recorre-se aos hospitais de atendimentos terciários. Em casos extremos a saúde pública é acionada por liminares na esfera jurídica. A crise do SUS repercute na ausência e/ou atraso de repasses de verbas, sem as quais nenhum hospital conveniado com o SUS se mantém.

O SUS não está correspondendo ao que foi definido há anos sobre o atendimento básico de saúde, cuja responsabilidade incumbe às prefeituras municipais. Postos de saúde insuficientes, geralmente, não possuem condições mínimas, não conseguem contar com profissionais, equipamentos, medicamentos e acessórios indispensáveis. Enfim, a rede primária não consegue oferecer condições para solucionar sequer doenças evitáveis. Daí, então, quadros clínicos simples agravam-se. Por falta de condições de manutenção, hospitais e clínicas conveniadas com o SUS estão sendo fechados, não obstante cresça a demanda. Recursos federais indispensáveis não são repassados a tempo nem a contento. A maioria da população empobrecida nunca teria um plano de saúde ou condições financeiras para ser socorrida em hospitais particulares.

Alguns governadores sensíveis construíram hospitais regionais, necessitados de serviços de UTI e leitos para internações urgentes, em cidades de médio e grande porte. Entanto, não existem maiores quantidade e qualidade de leitos porque não existem condições de manutenção. A disponibilidade de leitos é realmente insuficiente. O que fazer? Protestar? Reivindicar condições para esses serviços indispensáveis? De que modo a população pode ser envolvida para colaborar de forma efetiva no campo da saúde preventiva e curativa? Sobretudo esta, a saúde preventiva pode ser estimulada. As autoridades, através dos órgãos públicos de saúde, realizem campanhas pedagógicas de alerta e de estímulo, evitando doenças controláveis, reconstruindo hábitos sadios - por exemplo o controle da pressão arterial, evitando que diabéticos e hipertensos incorram em complicações vasculares, tromboses, derrames cerebrais, etc. Deixo a temática da educação para breve, seguindo a mesma linha de raciocínio. Trata-se de falta ou de desvio de verbas? Ou se trata de ausência de projetos e programas que implicam em qualificação de pessoal e de boa administração?


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