E a Saúde?


 14/06/2015 - Escrito para o Correio da Paraíba

A educação e a saúde pública no Brasil constituem-se como políticas prioritárias? Além da violência que nos ameaça a cada momento e da crise de valores humanos, entramos em estado de recessão socioeconômica. Categorias em greve, estudantes sem qualificação, pais e mães de família desempregados. O País parou de crescer. Sem perspectivas, o povo não se desenvolve. A melhoria da qualidade de vida valeu para a classe média. Entretanto, postos de saúde, cujo atendimento básico é de responsabilidade das prefeituras municipais, são insuficientes e raramente oferecem condições mínimas de atendimento, pois não contam com profissionais, faltam equipamentos, acessórios e medicamentos. A rede primária não possui condições que possam oferecer atendimentos básicos e solucionar doenças evitáveis, como quadros clínicos simples que, entanto, agravam-se. Cresce a demanda, mas, por falta de condições de manutenção, fecham-se hospitais e clínicas conveniadas com o SUS. Recursos federais indispensáveis não são repassados a tempo nem a contento. Consultas, cirurgias de urgência, são encaminhadas por liminares da Justiça! Cidades de médio ou grande porte necessitam de leitos para internações de urgência, serviços de UTI. A maioria da população não tem acesso a isso em hospitais particulares. Leitos fechados superaram o número de leitos disponíveis, embora alguns governadores tenham construído hospitais regionais.

Questiona-se: escassez de recursos ou ausência de boa administração e manutenção? A falta de efetividade no atendimento primário, a falta de orientação às pessoas simples obrigam-nas a enfrentar filas intermináveis. Por desespero recorrem a hospitais de atendimentos terciários. Por outro lado, a saúde pública não pode ser “judicializada” por causa da crise do SUS e da falta e/ou atraso de repasses. A verdade é que, sem repasse de verbas, nenhum hospital conveniado com o SUS consegue manter-se! Ademais, a população deve ser envolvida na colaboração efetiva no campo da saúde, quer preventiva, quer curativa. Diabéticos e hipertensos aprendem a reconstruir seus hábitos, controlar a pressão arterial, evitando ocorrência de AVC, de complicações vasculares, tromboses, derrame cerebral, etc. Por ausência de cultura, de esclarecimento ou mesmo de teimosia, a saúde preventiva é descurada. Entretanto, a saúde preventiva deveria ser insistentemente divulgada e estimulada. O que dizer dos que, liberadamente, desrespeitam as leis do trânsito, ou dos que incidem nas drogas? Qual é o ônus disso para gastos ou investimentos na saúde pública?


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