E o setor agrícola? (2)


 26/01/2014 - Escrito para o Correio da Paraíba

84% do povo brasileiro vivem nas cidades, sobrevivendo graças aos produtos e serviços provenientes da agricultura. Precisamos de diversos alimentos de boa qualidade nutricional e sanitária e, também, da utilização de produtos de fibras vegetais e animais, como papel, celulose, lã, tecidos. A agricultura garante a agroenergia, energia renovável, menos poluente com a produção de 30 bilhões de litros/ano de etanol, o biogás, a bioeletricidade, bagaço de cana-de-açúcar. A agricultura e a agroindústria fornecem-nos produtos de valores agregados, como a borracha, o couro, os óleos, os medicamentos.

Há uma profunda interdependência entre o campo e a cidade, entre produtores e consumidores, entre os que produzem ferramentas modernas para o trabalho e aqueles que as utilizam. Estão profundamente mudadas as relações de trabalho, a acessibilidade de informações, a adoção de modelos e hábitos de consumo, a comunicação, a distribuição de oportunidades. As atividades industriais modificaram as relações humanas e produtivas no campo. Os programas sociais do governo petista, no meio rural, modificaram a dinâmica e o estilo de vida dos que ali vivem, entanto, recebendo Bolsa Família, “Bolsa Floresta”, cestas básicas.

Dependente da honestidade e habilidade dos prefeitos, o povo do campo, como o da cidade, pode ser atendido por projetos habitacionais como “Minha casa, minha vida”, “Luz e água para todos”, serviços de saúde SUS, Funasa, “Mais médicos”, além da facilidade de acesso ao celular, telefonia fixa e móvel, rádio, televisão, acesso às tecnologias, meios produtivos, logística de armazenagem, Pronaf, “Bolsa Seca”. O homem do campo recorre à rede bancária, ao comércio, à assistência à saúde. Porém se pergunta: por que filhos de pequenos agricultores não querem trabalhar no campo? Mesmo sem preparo nem qualificação há maior facilidade de estudar ou de arranjar meio de vida nas cidades.

Nos últimos 30 anos o Brasil passou da posição de importador de alimentos para ser o 4º maior país exportador agrícola mundial. A dinâmica das áreas rurais e piscicultura deve-se aos avanços da tecnologia agrícola e agropecuária tropical, desenvolvida pela Embrapa, por alguns institutos de pesquisa e universidades, além dos investimentos da iniciativa privada. É lamentável o fato de movimentos congêneres ligados ao MST, Via Campesina, destruírem laboratórios de pesquisas científicas das quais se beneficiam produtores e consumidores.

Citemos os avanços dos sistemas de controle de pragas e doenças, fertilizantes, nutrientes de plantas e de animais, defensivos agro-ecológicos, melhoramento genético, inovações para plantio utilizando menores espaços e com maior qualidade, etc. Nos últimos 20 anos houve a retração de área ocupada pela agricultura de 2 milhões de hectares por ano, mas com excelentes resultados de produção qualificada. Hoje, a relação fundamental entre a terra para trabalho e produção não é mais a extensão da terra, e sim gente para trabalhar com as novas tecnologias. Associações e cooperativas são indicativos de superação do impasse e de franco progresso, bem como os investimentos na transformação e agregação de valores dos produtos agrícolas e seus ganhos de produtividade. 


† Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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