O grito


 11/04/2015 - Escrito para o Jornal da Paraíba

Seguem-se ao dia 15/03 pp. as manifestações populares. Amanhã o povo sai de novo pelas ruas gritando por cidadania. Trata-se de um grito de dor e também de esperança, somando forças pela superação da corrupção que impede o Brasil de crescer. Todos nós sentimos os efeitos da recessão em curso. Sabemos que isso se deve à má gestão dos bens públicos. A corrupção tornou-se um modo de governar e de executar obras superfaturadas. O povo mais simples começa a perceber a enorme diferença entre as políticas de compensação, de improviso e as políticas estruturantes de inclusão social. Essas só são possíveis com investimentos em infraestrutura produtiva nos principais setores da indústria, agricultura, comércio e com a boa gestão nas áreas da saúde pública e da educação. Além do desvio de verbas destinadas à infraestrutura produtiva e às obras estruturantes, o esquema da corrupção aponta a incompetência de gestores da coisa pública. O aparelhamento do Estado permitiu a corrupção generalizar-se.

Prepostos a cargos e a órgãos públicos de confiança, políticos inescrupulosos e sócios de empreiteiras de grande porte selaram conchavos, tendo por base altíssimas propinas para elaboração de projetos e execução de obras superfaturadas. Parte da propina era destinada ao favorecimento de partidos políticos. Empreiteiras, estatais, atravessadores aliados estão sendo investigados na operação “Lava Jato”. Essa gente será responsabilizada e punida por tais crimes? As verbas provenientes dessas propinas voltarão aos cofres públicos? O governo prestará contas de sua gestão, conforme as fabulosas promessas da última campanha majoritária? São muitas as dúvidas. Porém, a nossa dor é maior, pelo fato de que verbas destinadas aos investimentos produtivos e ao desenvolvimento do País foram surrupiadas. Por isso a reação de indignação ética leva a população às ruas, reivindicando acesso aos bens essenciais à vida, como o acesso aos alimentos de primeira necessidade. Ninguém vai muito longe com 30 dinheiros.

Há anos o Brasil parou de crescer porque não possui as condições exigidas para produzir com qualidade e competir no mercado. Não se qualifica mão de obra, sobretudo juvenil, precisada de inserção no mundo do trabalho. As classes C, D e E dificilmente conseguem melhores oportunidades. O povo sai às ruas não para apear alguém do poder constitucional, mas para pedir responsabilidade administrativa. O povo pede responsabilização de suspeitos e acusados da prática de corrupção. Que os fatos sejam rigorosamente apurados. Que essa gente não continue impune. O que foi surrupiado volte os cofres públicos.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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