Manifestações


 12/04/2015 - Escrito para o Correio da Paraíba

As manifestações populares do dia 15/03 pp. e as de hoje, 12/04, visam reverter os quadros de estagnação no qual o País encontra-se. O povo clama por melhores condições de desenvolvimento, qualidade de vida, oportunidades de educação, saúde e segurança pública. Um grito de dor é também esperança que não se confunde com ameaça aos que estão no poder. O povo pede que esses administrem a coisa pública com competência e transparência. O aparelhamento do Estado e o descontrole de gastos do governo evidenciam a má administração da coisa pública. Os escândalos da corrupção financeira comprovados no mensalão e petrolão projetaram o sentimento de descrédito da população em relação à política, aos políticos vinculados a determinados partidos. Consequentemente, não há como negar que outras instituições caiam em descrédito.

O grito de dor corresponde ao pedido de socorro, com a esperança de superação de fatos negativos que impedem o Brasil de crescer e o povo de se desenvolver. O País entrou em recessão. Recentes medidas tomadas pelo poder central ensaiam um ajuste fiscal, entanto não suficiente para sustar o avanço inflacionário. Empresas dispensam funcionários. Greves nos setores públicos multiplicam-se, bem como a precariedade no SUS demonstra-se insuficiente para atender às crescentes demandas da população mais necessitada de atendimentos urgentes. Em poucos meses a população empobreceu. Nem todos têm acesso à compra de alimentos básicos. Com o aumento assustador dos preços da energia e derivados do petróleo, incluindo o gás de cozinha, o povo entende que está pagando a conta de rombos bilionários da corrupção e desvio de verbas da Petrobrás.

Apostamos na superação da crise no relacionamento entre os três poderes da República. Apostamos no confronto entre o projeto de Estado democrático de direito, reivindicado pela população que ora desperta do conformismo passivo. Nessa hora da história do País é imprescindível entender o que seja projeto de Estado e organizá-lo de forma sistemática. Somente a indignação não sustenta o que mais precisamos: de um choque de gestão para uma inadiável transformação socioeconômica, com políticas estruturantes. Quais são as propostas concretas reivindicadas pelas manifestações de rua? Projetos concretos são planejados e realizados por etapas definidas, contando com capital humano, técnico e financeiro. A quem cabe apresentar projetos, tomar decisões e medidas urgentes, para além dos legítimos protestos, pacíficos e ordeiros?


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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