Voluntário


 22/03/2015 - Escrito para o Correio da Paraíba

Pessoas que cultivam as virtudes humanistas e cristãs disponibilizam seu amor e seu tempo a algum serviço voluntário. Nesse sentido, a Campanha da Fraternidade de 2015 apresenta o tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, referindo-se aos indicativos da fé que nos leva a assumir os compromissos de transformação da sociedade atual, repleta de sinais de esperança. Porém, contraditoriamente, a sociedade também apresenta sinais de sofrimento, violência, discriminação, falta de oportunidades, marginalização. A missão evangelizadora da Igreja importa na prática indissociável da caridade e da justiça. A caridade integra-se à compaixão, à misericórdia e formas de solidariedade. A Igreja não se identifica nem se confunde como uma instituição filantrópica ou como uma organização de desenvolvimento e assistência social. Essa missão pertence aos órgãos governamentais, incumbidos de planejar e promover as várias políticas públicas.

A espiritualidade cristã cultiva o amor serviçal aqueles que mais precisam e merecem oportunidades primárias à valorização da vida e da dignidade humana. Nesse sentido existem variadas formas de serviços voluntários, assumidos pela Igreja e por tantas instituições respeitadas e reconhecidas pela sociedade. O cristão convicto de sua fé procura amar e servir em tudo o que planeja e em tudo o que faz. O profeta Isaías alerta a consciência, na esfera individual e coletiva, ao proclamar a condição para uma verdadeira conversão: “se você destruir os seus instrumentos de opressão, se abandonar hábitos autoritários e a linguagem maldosa; se você acolher de coração aberto o indigente e prestar socorro ao necessitado, nascerá a sua luz espantando as trevas e sua vida obscura será como meio-dia” (Is 58,9b-10). A caridade misericordiosa é uma dádiva divina. Precisamos pedir ao Senhor que a nós a conceda.

A caridade torna-se resposta personalizada. O testemunho da caridade, da justiça e da paz, que cada um expressa ao seu modo, constitui-se como um chamado agregador de novos voluntários. Através de gestos concretos, de atitudes certeiras, de iniciativas que se demonstram exitosas, nascem as organizações de serviços voluntários. Jesus fundou a Igreja para dar continuidade de sua missão salvadora. Seu Reino institui-se não com poderes políticos, mas com práticas que promovem a dignidade da vida humana, onde essa é ameaçada ou negada. Ao assumir alguma forma de serviço voluntário, dentre os muitos existentes, estamos construindo o Reino de Deus pelo amor serviçal, não pela busca de prestígio pessoal ou por estratégias narcisistas de busca de si mesmo.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




Mais lidos

  •  Endereço: Palácio do Carmo - Praça Dom Adauto, s/n
    Centro - João Pessoa (PB)
  •  Fone:(83) 3133-1000
  •  E-mail: curia@arquidiocesepb.org.br
Twitter

© Mitra Arquidiocesana da Paraíba – Todos os direitos reservados