Espiritualidade serviçal


 21/03/2015 - Escrito para o Jornal da Paraíba

A espiritualidade cristã pode se comparar a uma série de exercícios que fazem bem à vida pessoal, familiar e social. A integração da pessoa segue um itinerário, obedecendo a um programa, orientando-se por indicativos seguros, buscando equilíbrio, enfrentando conflitos, superando contradições. A Quaresma corresponde a determinados períodos de nossa existência, especialmente voltados à purificação de nossas paixões desordenadas e à iluminação de nossas potencialidades à luz do Evangelho de Jesus. As celebrações litúrgicas e as práticas de piedade popular preferem situar textos bíblicos que apelam para a conversão do coração, para a prática da caridade, para a recuperação de valores quando desgastados pela rotina e corre-corre cotidiano. Isaías (Is. 58, 1 ss) nos adverte a respeito de práticas injustas as quais nos acostumamos.

Diz o profeta: “Eles me buscam todos os dias mostrando interesse em conhecer os meus caminhos, como se fossem nação que pratica a justiça e não abandona o direito estabelecido, pedindo-me leis justas”. (Porém) “no dia do seu jejum correm atrás de seus negócios, explorando trabalhadores, ferindo com punho perverso (...). O jejum que escolhi consiste em romper os grilhões da iniquidade, soltar as correntes da opressão, repartir o seu pão com o faminto, recolher pobres, vestir quem está nu. Se fizer isso a luz surgirá como a aurora; a cura de suas feridas operar-se-á rapidamente; a justiça irá a sua frente (...), então chamarás pelo Senhor e Ele responderá (...).

No sentido de integrar a conversão ao compromisso cristão do amor serviçal ao próximo, a Campanha da Fraternidade de 2015 apresenta o tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade”. Refere-se ao espírito de fé e amor que nos leva a testemunhar os valores do Evangelho de Jesus, diante da sociedade, cheia de carências e contradições, necessitada de ajuda para superar grandes males. A missão evangelizadora da Igreja e de todo cristão importa iniciativas de caridade e justiça. Caridade não se reduz a uma ou outra doação de esmola. Caridade significa dar condições para que as pessoas carentes desenvolvam-se, cresçam, estudem, trabalhem, tenham condições de levar vida digna.

Tal missão cabe ao Estado e órgãos governamentais, orientados por planejamento estratégico de políticas públicas de desenvolvimento integral. Cabe à Igreja colaborar com boas iniciativas. Se contarmos com a presença efetiva de cristãos nas realidades locais, há iniciativas solidárias que ajudam a superar situações de conflito e sofrimento. Busquemos melhores condições para os que mais precisam e merecem qualidade de vida, espiritual e temporal.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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