Cristofobia


 28/02/2015 - Escrito para o Jornal da Paraíba

Num misto de dor e indignação, o mundo assiste ao vivo às decapitações de grupos de pessoas de origem cristã, supostamente inimigas do Islã, por representarem a sociedade capitalista e consumista. Fanáticos agem por ímpeto terrorista, em nome do Estado Islâmico. Na verdade aspiram ao poder político e econômico, usando como álibi para seus intentos escusos o estilo de vida (por certo) em desacordo com o Alcorão. Há uma nítida fixação ideológica para impor o terror, metendo medo em todo o mundo. Milhares de jovens provenientes de várias partes do mundo são atraídos por eles, dispostos a destruir vidas. A sociedade de consumo trouxe-lhes um vazio existencial insuportável.  Em protesto pela perda do sentido de suas vidas, muitos jovens aderem à violência. Isso pode ser uma prova da falta de perspectivas ou da perda dos valores humanitários e cristãos. Lamenta-se não haver diálogo com fanáticos obcecados.

Repúdios tímidos surgem cá e acolá, por parte de alguns ministros de Estados europeus, ensaiando posições firmes. Silêncio e tolerância dos Estados democráticos que, entanto, reagem quando os direitos humanos são ameaçados ou violados. A ONU tomou posição cômoda e equidistante de tudo. Nenhuma comissão de defesa de direitos humanos reage ou comenta tais crimes. Direitos somente aos oportunistas. Na Líbia foram decapitados 21 egípcios cristãos de origem copta. Apenas um protesto do Papa Francisco junto à Igreja da Escócia. Mulheres cristãs recebem uma cruz na boca e goela enfiada como espada. Assim são mortas. Crianças são enterradas vivas de cabeça para baixo. Estima-se que mais de 150 mil pessoas foram assassinadas barbaramente pelo fato de serem cristãs. Em 2012 foram 105 mil pessoas assassinadas.

Cenas de terror são praticadas enquanto o mundo ocidental evita comentários, considerando-se possíveis represálias. “Islamofobia”. Cristãos que vivem em países de maioria muçulmana são perseguidos e mortos por milícias do Estado Islâmico. Tolera-se seu ódio histérico e assassino às pessoas de origem cristã. “Cristofobia”. Em contra-proposta, milhões de muçulmanos vivem em liberdade e dignidade nos EUA e países da Europa. A maioria de muçulmanos adapta-se à democracia liberal. Uma minoria radical infiltrou-se com outras intenções, intolerantes às crenças e valores diferentes. Se Israel revidasse aos mísseis de extremistas islâmicos, imagine-se a articulação de protestos em esfera mundial. Aos privilegiados, tudo. Aos inimigos, a lei. Dois pesos e duas medidas.


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