Valores e corrupção


 18/01/2015 - Escrito para o Correio da Paraíba

Ou nós aprendemos na família e na escola a viver os valores éticos, morais, cívicos, religiosos ou dificilmente conseguiremos vivê-los na sociedade. Da vivência dos valores depende a formação de caráter. Conhecimentos abstratos não formam ninguém nem transformam a vida. A construção das estruturas sociais depende da formação ética dos que nos governam. Para formar a personalidade sadia, o humanismo cristão toma por base o amor a Deus que se estende ao amor serviçal aos semelhantes. O amor é o supremo valor ético e moral, cívico e religioso. Nós somos constituídos de amor. Entanto, somos seres limitados e vulneráveis. Não podemos tudo, não sabemos tudo e, ademais, somos impelidos por paixões desordenadas. Temos necessidade dos pais, familiares e mestres que nos orientem no rumo certo, distante de erros e desvios. Nosso aperfeiçoamento depende de uma contínua integração entre o bem pessoal e o bem comum, numa comunidade de direitos e de deveres de uns para com os outros.

A experiência da vida leva-nos ao convívio com luzes e sombras. Necessitamos de luzes para discernir o bem e agir conforme, preservando-nos de tudo o que nos inclina ao mal. Nossa razão, consciência e liberdade, pedem a iluminação superior, divina, pois nossas paixões desordenadas clamam dentro de nós. Também necessitamos de nos exercitar na prática do bem. Os incentivos e bons exemplos exteriorizam os valores cultivados. A humanização da vida comporta a aceitação de pessoas mais experimentadas que souberam orientar a vida para o bem. Nosso aprimoramento requer a reorientação de rumos. A mente esclarecida pelo amor cultiva as virtudes da justiça, temperança, fortaleza, prudência. A corrupção anda na contramão dessas virtudes humanas e cristãs, provocando atitudes desumanas de má fé.

A corrupção equivale à atitude egoísta, mesquinha, fechada, insensível às necessidades dos nossos semelhantes. Corromper-se é aliar-se à cumplicidade de práticas ilegais. A corrupção no Brasil chegou ao ponto de aparelhar os órgãos governamentais acobertando políticos aliados aos empresários na prática inescrupulosa do superfaturamento de obras públicas. A corrupção surrupiou o erário e privatizou o bem público como se fosse bem particular. Corruptos comparam-se aos esquizofrênicos. Estes não sentem compaixão pelas vítimas. Existirá um carrasco quando a vítimas aceitarem ser vítima, sofrendo inerte. Na hora em que a vítima defender seu direito, o carrasco desaparece.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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