Justiça e Paz


 28/12/2014 - Escrito para o Correio da Paraíba

O Dia Mundial da Paz é celebrado ao 1º de janeiro. Confira a mensagem do Papa Francisco sobre os anseios da humanidade (www.vatican.va). Trata-se de um forte desejo de ajudar a construir a fraternidade universal. Esse desejo do bem é um dom, é dado por nosso Criador e Pai. Da comunhão do Pai com seus filhos e filhas nasce o anseio de uma comunhão realizada na reciprocidade. A comunhão de nossas liberdades oferece-nos oportunidades de nos fazermos próximos uns dos outros e estabelecer vínculos entre novos irmãos e irmãs. Há quem veja no outro um novo colaborador. Há quem veja no outro uma ameaça, um inimigo ou concorrente. Há quem se abre para receber e para dar, na reciprocidade. Essa abertura para a fraternidade foi vivenciada pelos primeiros cristãos, descrita na Carta de Paulo a Filemon (vv.15-16). Ele afirma que Onésimo “não é um escravo e sim um irmão”. Superar o estado de escravatura e passar ao de liberdade é uma experiência de humanismo de cunho cristão.

Na busca do sentido para a vida acontecem nossas relações interpessoais. As virtudes da justiça e da caridade inspiram-nos e nos levam a reconhecer e respeitar a dignidade da vida das pessoas, seus direitos e seus deveres inerentes. Inclua-se o bom uso da liberdade. O egoísmo é inato na natureza humana, porém o amor também é inato. O amor é reflexo da imagem e semelhança do Criador e Pai. O dom do amor deve ser exercitado conjuntamente com o dom da liberdade, para que sejam superadas as formas de egoísmo. Se não exercitamos o dom do amor, a violência preenche os espaços. O egoísmo cega-nos e nos torna insensíveis à exploração do homem ao outro. Isso pode se generalizar nas relações familiares e sociais. Isso fere gravemente a dignidade da vida e a comunhão fraterna. Perdido o respeito, a tendência é tratar mal alguém.

Não raro é o que acontece na sociedade de consumo, voltada exclusivamente à busca do prazer das coisas materiais. Se isso acontece, até as pessoas são tratadas como matéria-prima a ser explorada comercialmente, tal como o tráfico de pessoas, seja para fins laborais escusos, como profissionais do sexo, seja mão-de-obra barata. Ora, a dignidade humana é a fonte dos direitos e dos deveres, indissociáveis e inalienáveis. A educação para o amor traduz-se em muitas formas de colaboração solidária, construindo ambientes de paz. O Salmo 85,11 é um parâmetro, ao citar o emblema da paz: “amor e verdade se encontram, justiça e paz se abraçam”!


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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