Santo Natal


 21/12/2014 - Escrito para o Correio da Paraíba

“Completaram-se os dias para o parto. Maria deu à luz o seu filho primogênito, envolvendo-o com faixas e o reclinando numa manjedoura, porque não havia um lugar para eles” (Lc. 2,6-7). O fato de não encontrar lugar não impediu que Jesus viesse à luz. O lugar servia de abrigo para animais na friagem da noite. Na escuridão e no frio inóspito, a luz irrompe para iluminar todo ser humano que vem a este mundo. A frieza e a indiferença cedem espaço ao amor gratuito e generoso daquele que veio arrancar a humanidade das trevas do ódio e conduzi-la à luz da fraternidade. Essa luz que Ele traz deve reinar entre os filhos e filhas de Deus, entre as raças, os povos e as nações. A sabedoria divina solidariza-se com a humanidade, condicionada pelo egoísmo, fadada à ignorância e à fragilidade. A comunhão divina vem em socorro da fragilidade humana. O vazio é preenchido pelo amor que gera comunhão, abrindo espaço para os que, de boa vontade, dispõem-se a construir uma nova humanidade.

A vida, esvaziada de sentido, dificilmente encontra espaço para se estabelecer e expandir as suas potencialidades. Essa visão pessimista, insegura, destrutiva, não leva ninguém a lugar algum. Quando não há mais amor, restam apenas interesses escusos. Quando o amor não é alimentado pela fidelidade, restam apenas oportunismos. Se não abrimos espaço para somar, acolher, integrar, respeitar, tudo se transforma em ameaça e disputa. Tornamo-nos omissos, hipócritas, falsos, de dupla personalidade. Entretanto, a luz espanta as trevas do egoísmo, do desafeto, do ódio, da inveja, dos preconceitos, dos cálculos desumanos. Se dermos chance à vida, ela nasce e sempre renasce.

Deus se faz homem para ser todo nosso, permanecendo conosco para sempre. Ele não depende do nosso fechamento, da incapacidade de compreender, das limitações, erros, ignorância, solidão. Emmanuel, Deus conosco, vem! Vem nos iluminar e espantar as trevas de nossa incapacidade de amar sem egoísmo; de poder compreender e acolher, sem cobrar desatenções descabidas; de abrir oportunidades para os outros, sem pensar somente em interesses particulares. Vem, Senhor e nos ajuda a discernir e decidir o que for melhor para todos, sem querer levar vantagens em tudo. Que o amor seja sincero, franco, gratuito, generoso, desapegado, pródigo. Que eu me desapegue de tanta coisa de que não preciso e de minhas manias também. Aprenda de vós como são pequenas as realidades que passam tão rápido por esta vida. Que eu aprenda a enfrentar contradições da vida e tomar parte na busca de soluções, guiadas unicamente por vossa Luz!


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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