Por que não cresce?


 22/11/2014 - Escrito para o Jornal da Paraíba

Por que o Brasil não consegue crescer? O modelo econômico vigente transfere ao Estado toda a competência da gestão e alija a iniciativa privada. Entanto, o Estado não possui nem investe em infraestrutura capaz de gerar produção de qualidade. O modelo adotado é de um estado auto-suficiente, entanto incapaz de produzir e de competir no mercado altamente exigente. Ora, a economia moderna exige investimentos em infraestrutura produtiva. Caso contrário, chega-se ao suicídio financeiro. O modelo só recolhe impostos e taxas. Não enxuga gastos com sua máquina administrativa nem gera recursos produtivos suficientes. O governo lulopetista aparelhou o Estado. Confunde governo com política de Estado nem mostra um projeto, se é que o tem de fato. O País não consegue crescer sem que se qualifique mão-de-obra e gere emprego.

O Estado “babá” reproduz assistencialismo, criando dependência e inércia.  O ideal seria criar oportunidades e respeitar o mérito de quem se capacita para trabalhar com profissionalismo e dignidade. O crescimento do PIB/2014 de 0,2% aproxima-se a zero. O governo investiu bilhões em estádios (superfaturados) para a Copa, mas não planejou nem investiu em educação técnico-científica, em ofertas de capacitação profissional, em oportunidades de inserção dos cidadãos no mercado de trabalho (cada vez mais exigente). Um projeto estratégico prioriza a saúde, a educação, e segurança pública. As classes menos favorecidas perdem seus filhos para o narcotráfico e para sua conseqüência - a bandidagem. As classes de pequenos, médios e grandes empresários são penalizadas com impostos escorchantes. Isso impede o segundo e o terceiro setor de capacitar mão-de-obra qualificada, empregar e produzir. O empreendedorismo ensina planejar, investir, definir etapas, prever orçamentos, incluir, participar, crescer...

O atual modelo sócio-econômico não lança projetos de desenvolvimento e de inserção social, sobretudo das classes menos favorecidas. O modelo oPTa pelo bolsa família, sua forma de distribuir renda. Empresas estatais e autarquias surrupiadas por inescrupulosos. Órgãos públicos utilizados para proteger e recompensar prestadores de serviços (leia-se: cabos eleitorais). Entre outros escândalos financeiros, a Petrobras surrupiada. Novas investigações por parte de empresas americanas e holandesas envolvidas nesse último escândalo poderão esclarecer o “fumus veri facti” (tradução livre: onde há fumaça há fogo). Seria improvável que os principais responsáveis pela matriz socioeconômica do País ignorassem fatos semelhantes. Agora eles vêm à tona.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba

  •  Endereço: Palácio do Carmo - Praça Dom Adauto, s/n
    Centro - João Pessoa (PB)
  •  Fone:(83) 3133-1000
  •  E-mail: curia@arquidiocesepb.org.br
Twitter

© Mitra Arquidiocesana da Paraíba – Todos os direitos reservados