Para onde vamos?


 23/11/2014 - Escrito para o Correio da Paraíba

Os primeiros dados da pesquisa encomenda pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública à Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela o descrédito dos brasileiros em relação aos representantes das instituições democráticas - os políticos. Entre os 7,1 mil entrevistados de oitos Estados, 94% não confiam nos políticos. Apenas 6% confiam nos partidos políticos, mas 83% não confiam no Congresso Nacional nem no Governo Federal. Somente 17% confiam. Daí se compreende porque 30% dos eleitores se abstiveram, votaram em branco ou anularam o voto no pleito eleitoral de 2014. Os representantes das instituições do segundo e do terceiro setor podem avaliar a insuficiência do modelo socioeconômico brasileiro que bloqueia o desenvolvimento do País. Não sai mais nada da toca do modelo defasado com a realidade e insuficiente para incentivar o crescimento do País, respondendo às necessidades de inserção social da população.

Dos 7,1 mil entrevistados, 32% confiam no Judiciário e 31% no Executivo. Porém, 81% concordam com duas afirmações maldosas: “no Brasil é fácil desobedecer às leis” sendo que 57% concordam que “no Brasil há pouca motivação para seguir as leis”. Como pensar e agir de forma diferente? Nosso povo não recebe orientação cívica. Nosso sistema educacional é deficitário, pois não incentiva o processo de aprendizado e habilidades práticas. Isso significa que adolescentes e jovens devem aprender um ofício digno; receber educação para conviver na sociedade solidária e fraterna! A defasagem do País na esfera científica e tecnológica é de fazer vergonha. Jamais seríamos um País competitivo, reproduzindo o atraso, legitimado por governantes que estão a serviço de seus próprios interesses, com bolsos, meias e cuecas cheios de dinheiro de corrupção.

Voltamos a ser colônia. Nossos colonizadores travestem-se com a roupagem da democracia que, entanto, esvazia-se pela falta de credenciais de confiança. A crítica aplica-se aos representantes dos governos estaduais e municipais. É preciso maquiar os dados da economia que, na verdade, impede o desenvolvimento do povo, o crescimento do País, a inserção social, com oportunidades para todos. Nossa sugestão é que um dos governadores crie fórum permanente de discussão e encaminhamento de políticas prioritárias, com um planejamento estratégico, dizendo bem claro onde estamos, para onde vamos, o que faremos. Isso não se atrela ao programa de um governo de 4 ou 8 anos, mas corresponde a um projeto de Estado, com etapas e geração de recursos.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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