Conselhos unilaterais


 15/11/2014 - Escrito para o Jornal da Paraíba

O Decreto N° 8.243/2014 da presidente Dilma é um périplo do PNDH/3, Plano Nacional dos Direitos Humanos, assinado por Lula em 2009. Ambos prevêem a criar conselhos populares chancelando projetos alinhados com o governo petista. Os tais conselhos teriam poder de decisão, tratando dos “novos direitos” das (chamadas) minorias, substituindo a função do Legislativo. Deputados e senadores ficariam reduzidos a meninos de recado. Prevê-se o direito de invadir terra (mesmo produtiva), a instituição de profissionais do sexo, a introdução de temáticas nos currículos escolares sobre a opção de gênero, o casamento gay, a criminalização da homofobia, etc. Opiniões contrárias aos “novos direitos” chancelados pelos conselhos populares podem ser criminalizadas se consideradas ofensivas às minorias, cujos militantes mostram-se intransigentes e agressivos ao defender suas causas.

Maduro, presidente da Venezuela, mandou ao Brasil um dos seus ministros para selar convênios e parcerias com o MST. O ministro venezuelano Elias Jaua sequer deu bola aos trâmites legais requeridos num estado de direito e de fato. Os militantes da causa bolivariana acham certa a implantação do “regime” nos países da America Latina. A história confirma que os militantes de causas revolucionárias consideram-se acima da lei e da ordem vigente. É assim que as ditaduras impõem-se. Prepare-se para a retaliação todo aquele que defender o direito de propriedade produtiva, a reestruturação das leis trabalhistas, possui a visão e a atitude empresarial de trabalhar com metas e resultados, defender o sistema do cooperativismo, querer investir nas novas tecnologias voltadas em especial à qualificação de mão-de-obra.

Prepare-se também quem ousar criticar o programa bolsa família, sugerir recursos para a capacitação profissional, superar o sistema de dependência assistencial de cunho eleitoreiro. Este será taxado de reprodutor do sistema capitalista e inimigo do pobre. Será taxado de “elite”, latifundiário, explorador dos pobres, vendido aos interesses dos imperialistas americanos. Enquanto isso, os militantes da causa bolivariana credenciam-se com um ardor missionário como fieis observantes de estratégias antigas. Lênin implantou o Comunismo na Rússia em 1917, inspirado por Kerenski, um mentor ideológico. Quem ousar criticar e se opor à ideologia dos grupos de pressão que “lutam pela causa” que então se prepare para sofrer retaliações e perseguições.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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