Opinião publicada


 08/11/2014 - Escrito para o Jornal da Paraíba

Fontes seguras são referências elementares para os jornalistas apurarem fatos. Disso depende a informação e a formação de opinião. O direito de expressar e de formar opinião é garantido pela Constituição à imprensa falada e escrita, de forma livre e autônoma. A apuração investigatória de fatos segue um processo de expectativas. Detectar fatos e interpretá-los é um direito inalienável que assiste à imprensa. Seria inútil cercear a liberdade da imprensa, evitando interpretações que seguem naturalmente diferentes visões e tendências. Neutralidade é utopia. Entretanto, jornalistas e empresas podem sofrer interferências repressivas e chantagens financeiras, por parte de pessoas ou de grupos que defendem interesses particulares. Esses sentem as interpretações de jornalistas como uma ameaça. Daí entender por razões outras que há opinião pública e há opinião publicada. Formação de opinião pública é muito diferente de manipulação de opinião. Maquiar dados, inverter o significado de palavras e conceitos é estratégia tão antiga como o mundo. O oportunismo e as artimanhas impõem-se quando há fatos investigados que se mostram desfavoráveis aos interesses de alguém.

Durante a última campanha eleitoral, muitos fatos investigados revelaram-se desconfortavelmente desabonadores ao governo cujo partido mantém-se no poder há anos. Alguns meios de comunicação divulgaram meias verdades sobre alguns fatos. Outros se esquivaram ou escamotearam dados, evitando conflitos. Entre outros fatos, os dados pesquisados não puderam ser veiculados pela mídia, tais como os dados do IPEA e do IBGE, os escândalos e a corrupção na gestão da Petrobras, as meias suspeições e acusações de um doleiro que utiliza o expediente de delação premiada. Há mais. Economistas nacionais e internacionais teceram vários comentários sobre o irrisório crescimento da economia brasileira (próximo a zero), a paralisação da indústria e do comércio, a ausência de infraestrutura na esfera da educação e da saúde pública, o aumento do índice de pobres e de miseráveis no País.

Ora, os gestores e jornalistas de várias tendências, profissionais de veículos de comunicação de renome, não aceitam que a máquina governamental reprima-os e tente impor-lhes a censura diante da verdade. A mídia de qualidade não teme represálias, retaliações, sobretudo de ameaças e retirada de sustentação econômica. Isso aconteceu na Argentina e na Venezuela. No Brasil, por mais que alguém queira impor aqui a “ditadura bolivariana”, não vai conseguir seu intento. Alô, alô, heróicos defensores dos direitos humanos, onde vocês estão? Estão ligados nessa?


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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