Exceção


 09/11/2014 - Escrito para o Correio da Paraíba

Nos regimes democráticos são tarefas fundamentais e indissociáveis a pesquisa, a informação e a formação da opinião pública. O jornalismo tem garantia e direito de autonomia. Ora, a última campanha eleitoral evidenciou a tentativa do partido que comanda o País de controlar informações que desabonam sua gestão. Na apuração dos fatos relativos aos equívocos administrativos e financeiros cometidos por gestores da Petrobras, ficou evidente a reação governamental à série de reportagens e comentários qualificados, por parte de vários veículos de comunicação.  O critério ético basilar da informação é a fonte segura que fornece dados dos fatos, isto é, provas ou indícios seguros. Por tal razão, jornalistas não cederam às ameaças da esquerda festiva.

A liberdade de expressão não pode sucumbir à tentativa da censura imposta de forma direta ou indireta sobre a informação, quando esta tece críticas fundamentadas. Ante as denúncias de corrupção na gestão da Petrobras percebeu-se, por parte do aparato governamental, a tentativa de induzir a mídia ao silêncio ou cerceamento de informações sobre a apuração da verdade dos fatos. Quando isso acontece não estamos longe de um regime de exceção. Passamos do Estado de direito e de fato ao Estado de subserviência e repressão. Falar meias verdades, maquiar dados na esfera econômica, silenciar até dados do IBGE é a tática do governo para esconder o atraso e a paralisação do desenvolvimento da nossa indústria e comércio. Os sistemas de comunicação não podem aceitar submeter-se ao regime que se diz democrático de direito, mas de fato atua com postura totalitária.

Os direitos de cada pessoa constituem-se a fonte original dos direitos universais, os direitos humanos. Nada se antepõe ao bem da pessoa, da família e da coletividade. Cabe ao Estado defender e promover o bem comum, coletivo, e não os interesses de partidos ou de grupos ligados a interesses dos partidos. Quem governa deve governar pelo bem e para o bem da população, não confundindo a defesa do bem comum com o bem do partido que está no poder há alguns anos. Há gente que não admite a alternância no poder. Há gente que pensa que o partidão é invulnerável e que tudo o que faz está certo. Daí o aparelhamento dos órgãos públicos, chancelando as decisões da cúpula do partido. Entretanto, o poder público deve garantir o bem comum! Lembram-se do jargão do violino que se pega com a esquerda e se toca com a direita?


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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