Viagem


 01/11/2014 - Escrito para o Jornal da Paraíba

Valores permanentes não passam jamais. Não se sujeitam à efemeridade do tempo e do espaço. Terminada sua jornada terrena, fazemos memória daqueles que nos precedem no caminho da existência. Partiram porque convocados a dar continuidade aos outros estágios, no aprendizado de aperfeiçoamento permanente. Aceitaram ser provados. Tiveram suas fraquezas. Experimentaram amargas decepções. Cumprida a sua missão adquiriram experiências. A terra é uma arena de luta e de construção. Por aqui aprendemos a construir. Por aqui, porém, não temos morada fixa. O tempo e o espaço são efêmeros se mensurados por cálculos humanos. A vida terrena passa muito rápido. Pessoas, sentimentos, comportamentos, tudo muda ou se adapta.

Custa-nos entender e aceitar o fato de que na vida terrena estamos de passagem. Por aqui a dinâmica da vida é feita de construção e de desgaste. Contraditoriamente à razão e à lógica do entendimento, sentimos amor e muito medo de sermos rejeitados. Amor verdadeiro mistura-se com oportunismo, este feito de egoísmo e mentira. Feliz quem busca e encontra um sentido para a sua existência terrena. Feliz quem aceita passar por provações. A vida não é como a gente acha nem como a gente quer.

Na vida tudo passa e tudo contribui para nossa transformação. A vida passa por nós que estamos no coração do Pai. Os condicionamentos, limites e contradições da existência fazem parte do nosso aprendizado, aberto à construção que jamais termina. Haverá sempre experiências novas e, portanto, novos aprendizados. A lei que o Pai colocou na natureza humana comporta numa contínua libertação do egoísmo. A Escritura descreve o pecado do egoísmo. Este consistiu em que o homem e a mulher, exemplares do gênero humano, não aceitassem sua condição humana. O homem quer ser Deus. Querer ser Deus e não querer ser gente é reflexo de egoísmo, orgulho, vaidade, presunção. Não aceitamos ser gente. Sofremos porque não podemos fazer tudo. O remédio para o egoísmo é o amor que transforma. Não aceitar amar é o pior erro que cometemos, por fraqueza, ignorância, malícia. Quem não ama permanece na morte.

A vida divina é a participação que o Pai nos dá em sua vida. O Pai participa à natureza humana a sua vida de amor eterno. A participação na vida divina não sofre desgaste no tempo e no espaço, nem tem prazo de validade. A vida não se restringe a um curto espaço de tempo terreno. Passamos pela vida terrena como estagiários. De fato, estamos de passagem, como administradores dos bens que o Senhor nos confia para serem frutificados. A morte corporal, física, não é o fim, mas o êxito final de uma existência, delimitada pelos condicionamentos terrenos, materiais.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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