Família em debate


 25/10/2014 - Escrito para o Jornal da Paraíba

Por diversas razões, inúmeros casais optam pela união consensual, legitimada pela Constituição, na esfera civil. A realidade apresenta incontáveis uniões de fato. Além de divorciados e recasados, pessoas do mesmo sexo convivem e eventualmente adotam uma criança. Diante de múltiplos cenários envolvendo realidades complexas, a Igreja é questionada em seu posicionamento doutrinal e sua prática tradicional. O Papa Francisco pensou num Sínodo, realizado em Roma, recentemente (5-19 pp), solicitando misericórdia e acolhimento às pessoas que vivem situações especiais, não obstante não vivam conforme o ensino tradicional da Igreja.

Os maiores responsáveis prepostos ao governo pastoral da Igreja entendem que os princípios éticos e os valores morais são universais, válidos, legítimos. Na realidade, é inevitável que os valores defrontem-se com condicionamentos, obstáculos e limitações, presentes no comportamento de cada um de nós, na esfera pessoal, familiar e social. A missão da Igreja é de orientar e acompanhar as pessoas em relação aos valores da fé e do compromisso cristão.

O pensamento cristão há tempo não é o centro dos valores vividos pelas pessoas, na modernidade. Muitos cristãos foram batizados, porém, não foram evangelizados e, portanto, desconhecem ou prescindem dos princípios nos quais se baseia o matrimônio cristão, monogâmico indissolúvel, alicerçado no amor e na fidelidade. Com efeito, esses e outros valores sustentados pela fé são, no mínimo, discutíveis ou colocados à margem do pensamento e do estilo de vida moderna, não raro subjetivista. As novas gerações têm grande dificuldade de aceitar viver um compromisso estável, fiel, duradouro. Uniões de fato têm prazo de validade. A busca do prazer vivido de forma consumista empobrece os relacionamentos pessoais, familiares e sociais.

A ausência de quadros referenciais de valores explica facilidade substitutiva aos relacionamentos fragilizados, cercados por incertezas. O matrimônio exige dos cônjuges uma permanente educação para o amor, comportando na abertura e confiança recíproca, regada por sacrifícios em atitude de integração mútua. Questiona-se a Igreja negar a comunhão eucarística às pessoas divorciadas, recasadas, aos que divergem da moral cristã. A Igreja recomenda a comunhão espiritual com Cristo em sua Palavra. Não se nega a compreensão, o acolhimento, a misericórdia junto às pessoas que vivem em realidades delicadas e complexas. Cabe-nos testemunhar os valores do Evangelho, criar vínculos e possibilitar as condições para que as pessoas aceitem a fé e a salvação em Cristo Jesus.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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