Família e desafios


 26/10/2014 - Escrito para o Correio da Paraíba

O Papa Francisco convocou bispos e representantes leigos, em esfera mundial, para um Sínodo, a ser realizado com o objetivo de contemplar as diversas situações da Família. Haveria uma suposta mudança da Igreja Católica a respeito das pessoas que convivem em uniões de fato? Inúmeros divorciados, uma vez recasados, formaram nova família. Pessoas de condição homoafetiva assumem tal convivência e, eventualmente, adotam uma criança. Questiona-se o acesso de pessoas que vivem situações especiais à comunhão eucarística, o batismo de um filho, e demais práticas religiosas.

Os novos arranjos familiares desafiam a Igreja em sua doutrina e disciplina. Enfim, novos estilos de vida desafiam as estruturas tradicionais da Igreja. Não obstante as reflexões surgidas antes e durante o Sínodo, a autoridade da Igreja confirma os princípios éticos e os valores morais, apresentando-os como referenciais irreformáveis. No relatório final do Sínodo transparece a disciplina da Igreja, tal como ela praticou ao longo da Tradição de dois mil anos. A ruptura com a Tradição importaria numa grande confusão na mente e no comportamento dos fieis, a começar pela hierarquia, porquanto prevalece o vínculo indissolúvel do matrimônio e a participação dos fiéis à comunhão eucarística.

Cristo instituiu a sua Igreja confiando-lhe a missão de anunciar, testemunhar e transmitir os valores oriundos do Evangelho, não devendo modificá-los para agradar alguém, por razões outras. O discurso da Igreja limita-se às referências da fé cristã e da conformidade do comportamento segundo a fé revelada na Palavra e vivenciada na Tradição. Como ocorre no seio de uma família sadia, a Igreja deve ser sempre a casa da família do povo de Deus, aberta para acolher, orientar, acompanhar as pessoas na fé e no comportamento cristão, envolvendo-as nas obras que nascem da fé, da esperança e da caridade. Em nossas comunidades acompanhemos as pessoas e as famílias diante das dilacerações interiores e sociais. Se formos fiéis ao Evangelho, ajudaremos as pessoas a se ajudarem.

A liberdade humana experimenta suas próprias limitações, além dos vários condicionamentos de ordem sócio-cultural. Tanto a Igreja, como todas as instituições são desafiadas diante de situações e circunstâncias surgidas na modernidade. Nos dias atuais, os princípios e os valores universais valem pouco. Hoje, cada qual elabora seu código de ética, conforme sua busca da felicidade, legítima, mas limitada. Não fiquemos indiferentes aos dramas humanos e, na medida do possível, participemos da superação dos conflitos e das contradições. A fraternidade cristã é solidária e não tem limites!


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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