Dois modelos


 19/10/2014 - Escrito para o Correio da Paraíba

O clamor das ruas, em junho de 2013, reivindicou melhor gestão dos serviços públicos, pedindo o retorno de impostos destinados à mobilidade humana de classes menos favorecidas. Questiona-se a corrupção de políticos que malversam e surrupiam o erário e a conivência de autoridades ante o expansionismo das drogas. Pede-se maior rigor na prevenção e repressão do crime organizado e da bandidagem. Questiona-se a manipulação abusiva de grupos que, em nome dos direitos humanos, tentam impor comportamentos amorais, acima da Constituição, da Lei e do bom senso. Pessoas e entidades que defendem o direito à vida, à família natural, o comportamento ético e moral de cunho humanitário cristão são perseguidas. A política econômica brasileira fecha-se à livre iniciativa e ao desenvolvimento do País. Penalizam-se as classes produtivas com carga tributária inviabilizando a qualificação de mão-de-obra e novos empregos. A postura unilateral esquerdista favorece Cuba e países “bolivarianos”. O modelo da política socioeconômica brasileira paralisa o País. Países emergentes progridem.

A corrupção e a defasagem do modelo colocam-nos à margem da evolução de países emergentes, até da América Latina. A culpa não é dos EUA. Dois modelos de gestão disputam o segundo turno eleitoral. A tendência de estatizante, fechada à livre iniciativa, representa a velha utopia ideológica de defensores do regime populista, reprodutor de políticas de compensação e dependência. Na visão moderna do empreendedorismo investe-se em infraestrutura, abrem-se oportunidades, capacita-se para a produção com cientificidade, tecnologia, financiamento, gerando ocupação, gerando comunhão de liberdades.

Analistas dos fatores socioeconômicos criticam de forma unânime as causas do desempenho pífio da economia brasileira. O País cresceu 0,5%, prevendo-se dificuldades para 2015/16. Nas atuais condições do País não há como competir com o mercado interno e externo, este altamente exigente. A livre iniciativa investe na indústria, no comércio e na agroindústria. Esta atingiu o recorde de produção agrícola, evitando que o PIB fosse rebaixado ao nível zero. Não obstante o aparelhamento político-partidário, o governo devia transformar bolsas, cotas raciais e outras políticas compensatórias em promoção de capacitação para classes menos favorecidas. Ao menos reconheça que, na visão moderna de Estado, existe como promover o desenvolvimento com justiça social, sem a ideologia da luta de classes.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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