Dê silêncio e mostre trabalho!


 27/09/2014 - Escrito para o Jornal da Paraíba

Minha “nonna” (avó) dizia: “um dia, alguém te levanta um falso. Não lhe dê prestígio usando a arma dele para se defender. Dê silêncio e mostre trabalho. Quem não trabalha, não deixa os outros trabalhar. O silencio dói, mas educa a gente e os outros. O trabalho dignifica. Quem trabalha é reconhecido. Caluniador não suporta o silêncio da vítima. O Pai permite provações para que seus filhos busquem a verdade, orientando-lhes o coração e o caráter. Deus sabe o que faz. O desprendimento purifica os filhos. Tudo passa na vida. Não se vingue. O mal se destrói por si mesmo. Trabalhe e caminhe com quem caminha. Esse é o processo do aprendizado evolutivo. Quem levanta falso testemunho espalhando fofocas é como alguém que bebe veneno, pensando que vá fazer efeito nos outros. Disse Jesus: “aos antigos foi dito: não perjures, mas cumpre teu juramento para com o Senhor” (Mt. 5,33). O 8º Mandamento proíbe levantar falso: “não apresentarás falso testemunho contra o teu próximo” (Ex. 20,16).

A falsificação da verdade acarreta perdas que, por vezes, são irreparáveis. Afirmação aleivosa, sem comprovação nos fatos, provoca desconfiança, intriga, confusão, rivalidades, ódios, divisões. Desse jeito a vida torna-se um inferno. O papel do cão é intrigar as pessoas e destruí-las pelo ódio. A missão do Espírito de Deus é consolar, aliviar, confortar, reconciliar, colocar paz, mostrar caminhos, iluminar. Entre os princípios do Direito e da Justiça há um axioma que dirime a dúvida: “o que gratuitamente é afirmado, gratuitamente é negado”. Há formas de detração, semelhantes às fugas e compensações nervosas. Nossa humanidade é limitada e enferma. Estamos sujeitos a surtar por egoísmo, vaidade, inveja, ciúme, preconceito. O detrator é o algoz que Deus manda para nos purificar. É difícil aceitar isso! A provação nos leva a buscar saídas que nos libertam, restauram a verdade, superando a mentira.

A calúnia deixa marcas profundas. As chagas de Nosso Senhor são sinais de dor que se tornaram marcas luminosas da vitória do bem sobre o mal. “Oferecer a outra face para ser batida”, como ensina Jesus, significa cara limpa, sem duplicidade de caráter, coragem para enfrentar a calúnia e o mal entendido. Um dia isso tudo surge. O cristão não foge da verdade que virá à tona ao tempo certo. O Pai nos ajuda a permanecer na verdade que liberta, superando o mal pela prática do bem. Libertar-se do egoísmo e do ódio - eis a verdadeira libertação. Com sentimentos de ódio e vingança no coração, ninguém liberta os outros. Pessoas experimentadas no caminho do aperfeiçoamento aprendem a administrar as paixões desordenadas, num processo que restaura a verdade.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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