Espiritualidade bíblica


 28/09/2014 - Escrito para o Correio da Paraíba

Da Escritura Sagrada jorra água viva que irriga a vida e a missão dos cristãos. As narrações bíblicas utilizam imagens e metáforas, expressando verdades e interrogações. Há fatos bíblicos que desafiam a racionalidade e a lógica humana. Por vezes, os personagens bíblicos são conhecidos por suas fraquezas e contradições. São seres mortais e não ídolos produzidos. Eles aceitam a incumbência de determinada missão dada pelo Senhor. Meditar sobre a história de José do Egito, de Moisés, de Jonas, de Sansão, de Débora, de Ruth, dos Profetas, de Paulo... é como entrar num labirinto. Ante o inusitado, ora duvidosos e inseguros, ora confiantes e corajosos, eles passam pelas provas da fé, vivendo o compromisso de transformação. Eles aprendem a entregar ao Senhor suas vidas e seus caminhos. Na condição humana eles estão sujeitos às paixões, fraquezas, defeitos, virtudes. Agem como se tudo estivesse a depender deles, sabendo que tudo está nas mãos de Deus. Para compreender a realidade utilizamos critérios humanos que se demonstram insuficientes. Nossos cálculos são percepções inverossímeis. Para agir, o Pai conta com pessoas, não com anjos e semideuses.

Muitos personagens bíblicos experimentaram fraquezas, cometeram erros, caíram em contradições. O Pai ama seus filhos e respeita a sua liberdade. Isso os aproxima dos seus planos divinos, realizados com características humanas. Nosso aprendizado passa por contradições. A espiritualidade bíblica ajuda-nos a integrar a nossa personalidade tal que aprendamos a construir a vida conforme os planos do Pai. Ele nos dá forças para superar os males que nos contaminam. Sofremos com os desajustes encontrados em nós mesmos, no nosso interior. O Senhor não nos rejeita porque somos fracos e pecadores, porque somos limitados e condicionados. O Senhor nos chama a partilhar a sua própria vida e missão de restaurar as pessoas, a vida, o mundo, de forma permanente. A vida está em construção! As incompreensões treinam-nos para a superação dos conflitos. Uma reconciliação acontece. Justiça e paz abraçam-se. Mentira e injustiça desmascaram-se. Abre-se espaço à restauração da verdade. Se é difícil aceitar a cruz do compromisso, pior é não tomar posição, acomodar-se, culpar outros e tirar o corpo fora. O que você prefere? Diante da infidelidade dos filhos, o Senhor se mostra fiel aos seus desígnios, incluindo-os na busca construtiva do aperfeiçoamento. Ele tem saídas inesperadas nos labirintos da vida e, assim, realiza a sua obra em nós.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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