Formação cívica


 20/09/2014 - Escrito para o Jornal da Paraíba

Diz o ditado chinês que a educação de uma criança começa 100 anos antes dela nascer. O sábio adágio aplica-se à educação sociopolítica do nosso povo. Caminhamos a passos lentos na democracia participativa. Os debates políticos veiculados pelos meios televisivos oportunizam a formação da consciência dos eleitores sobre projetos políticos. Entanto, prevalece o clima de hostilidade mútua entre candidatos. Usa-se a estratégia da desqualificação um do outro. Cabos de guerra medem forças. Brigas de galos impedem a formação da consciência cidadã e afastam o eleitor. Não há tempo suficiente para que apresentem seus projetos políticos.

Um projeto de Estado (não apenas de governo) constitui-se como palavra de honra pelo candidato dada à sociedade. A elaboração de projetos políticos envolve pessoas comprometidas com o bem comum, priorizando temáticas de interesse dos eleitores e da sociedade. Os partidos e coligações partidárias devem demonstrar compromisso com projetos políticos. Vêem-se promessas. De forma realista, pergunta-se de onde virão os recursos? Um projeto de Estado traça metas e trabalha com políticas estruturais, aviadas por etapas sucessivas, com garantia de recursos financeiros e continuidade de execução. Os candidatos não podem apenas pedir votos, mas envolver o eleitor na superação dos problemas, mesmo que não se resolvam de imediato, no período de um governo. Falar claramente sobre essa realidade significa perder votos. A estratégia prevalente é botar culpas e agredir os outros.

Enfrentar e superar contradições e conflitos sociais exige sacrifícios por parte da população. Se as representações de instituições e lideranças significativas da sociedade não ocuparem os canais de participação nos planejamentos estratégicos de políticas estruturais, continuaremos a conviver com os esquemas políticos vigentes, sofrendo com as graves dificuldades que nos humilham há várias décadas - sistema de educação e de saúde abaixo dos níveis suficientes para serem avaliados. Que o eleitor conheça se cada candidato apresenta seu projeto de Estado; como ele pretende enfrentar o núcleo dos conflitos e as soluções possíveis ou prováveis. Que ele diga claramente de onde vai tirar recursos. O projeto de Estado vincula as atividades do gestor eleito a nós, cidadãos. Civismo e dignidade, cobrando dos eleitos metas e resultados do projeto políticas estruturais planejadas. Observe-se que as entrevistas dos candidatos por rádios e TVs vêm ajudando o eleitor a identificar propostas dos candidatos, prevalecendo critérios racionais, não o sentimentalismo e a simpatia pessoal produzida nos guias.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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