Perdas e desafios


 13/09/2014 - Escrito para o Jornal da Paraíba

Da década dos anos 90 para cá, a Igreja Católica no Brasil perdeu 30% dos seus fieis, em qualidade e em número: 10% a menos, a cada 10 anos. Qual foi a causa? Há dados divulgados pelo IBGE, envoltos na complexidade de fatores que ultrapassam a formalidade de alguma resposta plausível. Caberia a quem de direito a responsabilidade de realizar uma pesquisa séria, seguida de uma análise crítica e serena, a respeito dos motivos de lamentável perda. Bento XVI referiu-se por várias vezes a respeito dos fenômenos atuais. Entre outros, uma “apostasia silenciosa” entre os cristãos.

Para muita gente que foi batizada, mas, que não foi evangelizada, a fé, os valores transcendentes e sobrenaturais, nascidos da fé, não são levados em consideração. A busca da felicidade fixa-se nas realidades materiais. Vive-se a vida como se Deus e sua Lei não tivessem importância. Pensadores modernos referem-se à fé cristã como uma cultura como tantas outras. Não existiria verdade revelada por Jesus Cristo, acreditado como Filho de Deus. Afirma-se com sarcasmo o fim da era cristã, liquidificada, desconstruída, superada. Daí, a morte de Deus por perda de identidade cristã. Em nome da liberdade exclui-se a ideia de Deus. Só assim o homem liberta-se dos sentimentos de culpa. O homem seria medida de si mesmo, como auto-referência. A religião seria apenas uma cultura variável, inerente ao sentimento humano.

Todas essas afirmações não prejudicam tanto a fé e o comportamento cristão quanto a frieza e a indiferença dos que foram batizados, porém não foram evangelizados nem acompanhados na fé. O inimigo da fé não vem de fora, mas se infiltra como agente ideológico que se presta a desconstruir a identidade cristã, contaminando-a com o vírus do relativismo. O esvaziamento dos fieis que se afastam dos valores do Evangelho causa maior mal do que ser perseguido por amor à verdade e à justiça do Reino de Deus. A Igreja Católica encontra-se diante de condicionamentos internos, por parte de fiéis frios e indiferentes, cuja maioria não foi evangelizada! Surge o fator inusitado de milhares de cristãos perseguidos e mortos no Oriente, Ásia, África, por grupos de fanáticos muçulmanos que pretendem conquistar o poder político e financeiro mundial...

Com fé e coragem coloquemos Jesus e seu Evangelho no centro de nossa vida. Jamais nos faltem o pão da Palavra, da Eucaristia e o pão de cada dia, partilhado na caridade fraterna, formando comunidades cristãs, evangelizadas e evangelizadoras. Deus nos livre dos ídolos, imagens ideológicas e projeções do nosso egoísmo.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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