A pedagogia de Maria


 19/07/2014 - Escrito para o Jornal da Paraíba

O Cristianismo sempre venerou a presença graciosa de Maria, a mãe do Senhor Jesus Cristo, centralizando-o como Mestre e colocando-a como discípula. Nessa postura existe uma profunda pedagogia. Trata-se da figura da mãe formadora do próprio filho, que cresce em idade e sabedoria, ao tempo em que ela se faz aprendiz dele - aquele que veio para servir, não para ser servido. Ele é o mestre serviçal que não se prevaleceu de sua condição divina. Encarnou-se no ventre sacrossanto da mãe imaculada, assumindo a nossa condição humana. Humilhou-se a si mesmo, para nos libertar das terríveis contradições que nós mesmos produzimos. Pior, nós nos infelicitamos colocando nossas contradições nas estruturas sociais.

A pedagogia do ensino e aprendizado à qual o Mestre nos orientou refere-se aos pais, José e Maria. Extensivamente se refere aos que Jesus chamou para serem seus discípulos, depois enviados como apóstolos, propagadores das habilidades práticas da fraternidade, da justiça, da paz pró-ativa. A pedagogia de Jesus envolve muitos personagens, dos quais Maria aparece como protagonista, embora silenciosa, até anônima, porém, colaboradora de todas as horas, formadora do caráter fiel, animadora discreta do ânimo constante, precursora feminina da liberdade alegre, sincera, porque vivida com responsabilidade.

Fico pensando como hoje faz falta uma orientação segura, sistemática por parte dos pais. As falsas ofertas que azucrinam a cabeça dos adolescentes e jovens, propagadas pela moda, trazem evidente interesse mercantilista, para não dizer exclusivo e excludente oportunismo. Sabemos que, se vier a faltar o calor humano e cristão na família, a identidade dos filhos, sobretudo adolescentes e jovens, passa a ser as redes sociais, não mais a família.

Sistematicamente, como pai, mãe, eu posso e devo chamar os meus filhos para planejar a vida da família, incluindo o orçamento, criando o espírito de partilha, apresentando os “deveres”, não somente os “direitos”, apontando compromissos coletivos, evitando o expediente insaciável do desperdício, do consumo compulsivo, gastando à toa com coisa que não se precisa, com o dinheiro que não se tem. Ora, tudo isso eu posso fazer! Sou formador dos meus filhos. Sou o primeiro responsável. Não posso ser um pai, uma mãe molenga, medrosa, inibida por forte propaganda que vem de fora, penetra dentro da minha casa e nos destrói.

Voltamos à Maria, discípula e formadora do próprio Filho de Deus e seu! Certamente ela orava com as palavras do divino Mestre, evitando chamar para si as atenções, senão para a vontade de Deus e para o bem dos outros.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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