Envelhecimento saudável


 06/07/2014 - Escrito para o Correio da Paraíba

Existe na Igreja a Pastoral da Pessoa Idosa, cujas atividades voltam-se à promoção do envelhecimento saudável, destacando-se os direitos dos idosos, garantidos na Constituição e nos estatutos nacionais específicos, aprovados em 2003.

Evidentemente, a dimensão da saúde configura-se como uma das principais, com uma série de atitudes de prevenção e zelo pela longevidade. Os aspectos jurídicos estão presentes, sem dúvida, porquanto a maioria das pessoas idosas, de forma particular as empobrecidas, são exploradas pela própria família. Há casos dolorosos de abusos e de maus tratos, extorsão da aposentadoria, cativeiro doméstico. A dimensão espiritual é incentivada como grande alavanca de sustentação mística da nobre causa da pessoa idosa. A Pastoral da Pessoa Idosa supera frontal e construtivamente o “complexo do javali”, entendido como sentimento de inutilidade, de cruel ostracismo. Quantos sentem ou mesmo verbalizam: “ah... eu já vali alguma coisa, agora não valho mais nada, não presto para nada...”.

O envelhecimento saudável reporta-se a uma opção: envelhecer vivendo intensamente e não o contrário, isto é, viver envelhecendo. Envelhecer vivendo intensamente importa em criar condições para que o idoso busque formas concretas de uma vida mais sadia. Sem o envolvimento da família isso será impossível. Sem a criação de uma cultura pelo envelhecimento saudável, os idosos continuarão a ser relegados. Nossa bandeira estende-se primordialmente para as famílias e para o complexo da gestão administrativa local, em cada município.

O envolvimento da família em todas as iniciativas que empreendemos na Pastoral da Pessoa Idosa é absolutamente indispensável. Nosso desafio maior é a criação de uma cultura solidária entre as lideranças e as diversas entidades, incluindo a gestão municipal, “topando a parada”. De nada adiantaria ter um bom dinheiro nas mãos - fundos financeiros - se não temos a participação efetiva e subsidiária do capital humano familiar. Ainda está introjectado na cabeça de muitos o “complexo do javali”. Qualquer iniciativa só irá pra a frente com o envolvimento da família, como primeira instância formadora de pessoas.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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