Oração e a prática do bem


 29/06/2014 - Escrito para o Correio da Paraíba

Eu começo este artigo fazendo uma pergunta: você aprendeu a agradecer? Acredito que a resposta seja sim. Em casa, certamente, nossos pais nos ensinaram as lições básicas da convivência familiar e social. Mas acho que o mundo consumista tenha conseguido tornar as pessoas mais calculistas e oportunistas. É fácil perceber que poucos, entre nós, estão conseguindo apresentar, espontaneamente, a marca da gratuidade. Sobretudo pela necessidade de “conquistar um lugar ao sol”, um serviço, um ganha-pão, ou influenciados pela corrida ao sucesso, percebemos pessoas mais frias ou mesmo descrentes, arredias, indiferentes. Como entender que a força da oração orientada à prática do bem, realizada com espírito de gratuidade, possa construir um mundo melhor ao nosso redor?

Eis o sentido da oração, que apresenta muitas dimensões importantes, ligando a fé à vida, o amor a Deus ao amor filial, fraterno, solidário uns para com os outros. O essencial é que entremos nesse dinamismo do louvor, da ação de graças, da busca da vontade do Pai a nosso respeito, das súplicas de reconciliação e de paz, de intercessão pelas pessoas mais precisadas.

O 1º Mandamento da Lei do Senhor, o seu Amor gratuito e generoso, oferece-nos, permanentemente, a orientação indispensável para a formação de nossa consciência e das nossas atitudes fundamentais. O dever gracioso e generoso do reconhecimento ao Pai leva-nos aos outros para fazermos, tanto quanto possível, o mesmo. A busca da vontade do Pai nos liberta do egoísmo. Deixando de buscar as orientações do Pai, voltamo-nos somente para nós mesmos e nossos próprios interesses. A oração verdadeira, frutuosa, operosa, pró-ativa, é orientada para a aceitação de si e dos outros, realizada em clima pedagógico de paz interior e com os outros, com a vida, com o mundo, com o próprio Deus que é Pai.

A oração em ação de graças acompanha o contexto de amor e de misericórdia que Jesus demonstrou pelos pequenos e simples. Assim a oração deve ser simples, confiante, perseverante. Dirigimo-nos ao Pai, por Jesus no Espírito. Aprendemos com a ação de graças a profunda gratidão a Deus e ao próximo pelas oportunidades que surgem em nossa vidas. Suplicamos pelo perdão, porque nós e os outros cometemos erros, e por fim a interceder por todos, pois a vida é comunhão construtiva e incessante.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




Mais lidos

  •  Endereço: Palácio do Carmo - Praça Dom Adauto, s/n
    Centro - João Pessoa (PB)
  •  Fone:(83) 3133-1000
  •  E-mail: curia@arquidiocesepb.org.br
Twitter

© Mitra Arquidiocesana da Paraíba – Todos os direitos reservados