O homem não pode se separar de Deus, nem a política da moral


 16/09/2018 - Escrito para o Correio da Paraíba

Esse ensinamento nos foi dado por São Tomas More, patrono dos políticos, que com sua vida nos ensinou a não abrir mão dos valores católicos na formação da consciência política individual, pois tais valores não servem apenas aos católicos, mas por sua construção moral e ética, servem a todas as pessoas. O papel da política é materializar o bem comum, de modo a construir uma sociedade moralmente sã, ordenada pela paz, equidade de oportunidades e justiça social.
Neste período eleitoral, de forma objetiva e com sobriedade, é importante para o cristão criar uma consciência política madura, sólida, de modo a enxergar quais candidatos comungam dos valores cristãos, não apenas com palavras, mas com gestos e testemunho de vida. Neste período é comum a demagogia de muitos e os discursos oportunistas, no entanto, é importante ver o passado, investigar sem paixões, mas com responsabilidade, o histórico dos candidatos, os seus posicionamentos ou a ausência deles, as suas incoerências, enfim, o seu testemunho autêntico de competência e coerência na vida pública, a fim de formar um juízo de valor que colabore na tomada de decisão do voto.
O Papa emérito Bento XVI afirmou que “é papel da Igreja emitir juízo moral em questões políticas quando isso for importante para defender os direitos fundamentais da pessoa”. O Papa Francisco nos recorda que “a atuação política por parte dos leigos é uma das mais altas formas de caridade”, portanto, o cristão leigo não pode dar “de ombros” para a política, não pode cultivar indiferença à política, pois ela é o instrumento de melhora na qualidade de vida, de garantia dos direitos individuais e coletivos, de promoção da paz, da caridade, da justiça social.
E, ressalte-se mais uma vez que, de acordo com as palavras do nosso Papa Francisco, é papel do leigo esse envolvimento, o engajamento na ação política; o leigo deve ser comprometido com o seu voto e com a formação de uma consciência política permeada pelos valores cristãos que nos levam em direção ao próximo.
Num país onde o estado é laico, mas o povo é predominantemente cristão, se faz necessário a formação de uma nação cada vez mais consciente de que “O homem não pode se separar de Deus nem a política da moral”, para que alcancemos o nosso objetivo maior, que é ter uma sociedade moralmente sã, que possua o amor, a paz e a justiça social como pilares de sua existência.

 


Dom Manoel Delson
Arcebispo da Paraíba

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