Palavra de Vida Eterna


 02/09/2018 - Escrito para o Correio da Paraíba

O anúncio que a Igreja se propõe a fazer aos homens de todas as épocas deriva-se do encontro com a Pessoa de Jesus Cristo, Palavra que veio de Deus e que se faz presente no meio de nós. Esta Palavra, real e transformadora, traz o sentido de eternidade, ela não é qualquer palavra, ela é o próprio Deus encarnado nas entranhas da humanidade. Sem ela, o homem não se reabre ao mistério amoroso de Deus.

O anúncio da Palavra de Deus, isto é, da própria Pessoa de Jesus, descortina a grande novidade da revelação bíblica: Deus Se dá por conhecido no diálogo, Deus dialoga nos salvando! Na Constituição Dogmática "Dei Verbum", número 02, do Concílio Vaticano II, encontramos essa ilustração dialógica salvadora de Deus: "Deus invisível na riqueza do seu amor fala aos homens como a amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão com Ele". Portanto, cabe ao esforço missionário da Igreja continuar a levar essa novidade, de que Deus se inclina a todos os homens, e o faz pela via do diálogo, da escuta atenta de Sua Palavra e por meio da vivência existencial dos sacramentos.

Celebrar a Palavra de Deus na liturgia e na vida do mundo não significa celebrar acontecimentos do passado, mas trata-se de estender a relação vital que acontece na vida daqueles que escutam essa Palavra, e essa relação não se limita ao privado da alma do fiel, mas deve ser comunicada às estruturas sociais. Obviamente que o lugar privilegiado da Palavra de Deus é a liturgia. A Igreja é a casa da Palavra. Mas sabemos também que essa mesma Palavra deve permear a vida eclesial, deve encher a pastoral do sentido de eternidade. A Palavra de Deus fala-nos das coisas do céu que já podem ser vivenciadas na terra. Certa vez, o Apóstolo Pedro confessou Jesus, a Palavra encarnada do Pai, como Aquele que tem as palavras que nos levarão ao céu: "A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!" (Jo 6,68). Com o testemunho dos santos, a interpretação das Sagradas Escrituras torna-se mais esclarecida, pois eles foram homens e mulheres que se deixaram plasmar pela Palavra de Deus, e devemos entrar nas suas escolas, pois se trata de "(...) um caminho seguro para efetuar uma hermenêutica viva e eficaz da Palavra de Deus" (Verbum Domini, 49, de Bento XVI). Que Nossa Senhora, a Mulher que gerou o Verbo da Vida, nos ensine a escutar atentamente a Palavra de Deus e a pô-la em prática, com alegria.


Dom Manoel Delson
Arcebispo da Paraíba

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