Festas de Padroeiro


 21/06/2014 - Escrito para o Jornal da Paraíba

No mês de junho o povo nordestino celebra, principalmente, três santos: Santo Antônio, São João e São Pedro. A tradição de festejar o mês de junho antecede o nascimento de Cristo. Para os antigos, o verão, que nos países do Hemisfério Norte inicia-se nessa época, era sinal do início das colheitas. Num tempo em que as alterações climáticas eram vistas como sinais dos deuses, o fogo representava proteção contra a falta de chuvas, as pestes e a seca. Desde os tempos pagãos a data é comemorada com fogueira, dança, música e muita comida. Somente no século VI o Catolicismo passou a associar essa celebração ao aniversário de São João. No século XIII os portugueses incluíram São Pedro e Santo Antônio nas festanças e desde 1583 a data é comemorada no Brasil.

Nossas tradições culturais e nossas festas religiosas registram ricas expressões, com costumes regionais. O Evangelho se inculturou em tempos e situações diferentes, exprimindo vários valores éticos. Assim influenciou beneficamente as pessoas, famílias e a sociedade. Tais valores devem ser conservados, atualizados e transmitidos às gerações vindouras.

As “Festas de Padroeiro” constituem excelentes oportunidades de evangelização inculturada. Elas abordam temáticas cristãs e se articulam com as dimensões sócio-culturais, preservando a boa índole do nosso povo, oferecendo dois pólos de atração: a necessidade que o povo tem de expressar a sua religiosidade e de se sentir unido num convívio festivo. Ambos devem ser valorizados e harmonizados, de modo a implementar tanto os preciosos elementos de nossa fé, quanto os de nossa raça e cultura.

Em muitas comunidades, as Festas de Padroeiro atraem muita gente - não só quem vai para rezar, como também para “ganhar o pão”. Tudo bem. O problema é que tem gente se apossando do espaço público de modo inoportuno, sem infraestrutura. O espaço urbano insuficiente traz incômodos. O trânsito fica caótico, faltam banheiros, a sujeira acumula-se nas ruas e calçadas. Isso afasta as pessoas que desejam um convívio prazeroso e familiar. Essas inconveniências deturpam o sentido da festa de religiosidade popular. As atrações musicais geram uma poluição sonora que vara a madrugada estressando qualquer um. Distancia-se totalmente do nosso tradicional e delicioso “forró de pé-de-serra”. E ainda: o excesso de bebida gera confusão.

A Igreja deve procurar o diálogo junto aqueles que estão usando e abusando desse espaço. Cabe-lhe refletir sobre a preservação dos valores religiosos e sociais junto aos gestores locais, autoridades civis e militares, às pessoas e grupos interessados em participar e colaborar, acatando critérios de bom senso.

Tanto a programação da Novena quanto as manifestações culturais e festivas devem incluir o respeito a horários e espaços físicos. Se assim não for, a dimensão religiosa e a boa ordem do convívio social, em pouco espaço de tempo, tendem a desaparecer por completo.


PASCOM
Pastoral da Comunicação da Arquidiocese da Paraíba




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