Festa junina


 22/06/2014 - Escrito para o Correio da Paraíba

Estamos no fim de semana mais festivo do povo nordestino. As comemorações traduzem um contexto de religiosidade popular. Nos eventos, a população diverte-se com danças folclóricas regionais e comidas típicas, principalmente feitas de milho - saborosas e nutritivas. É uma festa alegre que comemora a vida com fartura, e que compensa carências ou perdas, invocando os santos, tentando colocar na esfera do além a superação de sofrimentos.

E aqui fica o meu apelo para que sejam preservados os valores culturais da nossa terra. Esses, infelizmente, correm o risco de desaparecer em pouco tempo. A conservação dos valores tradicionais postula sua atualização contínua, dinâmica e criativa. Mas vejo sinais que contrariam essa disposição, ainda mais com o avanço dos ambientes “marketizados”. São empresários que visam apenas o lucro e deixam de lado as raízes da cultura popular.

A padronização das festas populares, que não atinge somente as grandes cidades, não gera o congraçamento entre pessoas e famílias. O povo simples gostaria de se encontrar para crescer na fraternidade. Hoje, o tipo de evento que se promove deixa as pessoas condicionadas demais, preocupando-se com exterioridades, incluindo excessos. Todos querem uma roupa nova para tal show, sem contar com o uso abusivo de bebida alcoólica e outras drogas.

A festa é uma elaboração psico-afetiva, criada espontaneamente pelo engenho humano, facilitando sua sociabilidade. Ocasiões festivas oportunizam a convivência familiar e social, provocando a aproximação amistosa, enriquecendo a todos com a permuta de valores culturais. A festa é feita para gerar encontros que diminuem tensões, propiciam o mútuo conhecimento e a abordagem da diversidade das realidades. Se deixarmos morrer o espírito familiar, fraternal, estaremos sufocando a sua razão de ser.

Algo parecido pode ser verificado no mundo do esporte. O valor mais importante do esporte é a fraternidade entre adversários e não a derrota deles. Quando a fraternidade desportiva cede espaço aos interesses “marketeiros”, puramente comerciais, os ídolos do esporte deixam de ser facilitadores da comunicação e aproximação entre as pessoas. Principalmente na questão futebolista, o “passe do jogador” valendo milhões de dólares faz com que a cobiça suba à cabeça. Em vez de ser instrumento que estimula a vida saudável, provoca ambições desmedidas, acompanhadas de rixas e despeitas.


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