O esforço comum da Paz


 04/03/2018 - Escrito para o Correio da Paraíba

A existência humana, depois do pecado original, sempre fora marcada pelo esforço da Paz. A realidade dos homens passou a necessitar do esforço comum pela ordem social. Todos sonham com um mundo cheio de paz. Esse é o sonho de todos nós! Juntos, podemos construir um mundo melhor, de paz e justiça.

Nada mais estressante do que viver em permanentes tensões, medos, inseguranças, causados por conflitos e violências sem fim. Essa dura realidade é conhecida por todos. Todos sofremos amargamente com a não superação da violência. O preço de viver nesse clima de pressão e medo é alto. No entanto, a paz continua sendo tão desejada! O coração tão sofrido neste mundo de conflitos permanentes anseia por um tempo de distensão e harmonia, que só a paz oferece. Os caminhos que levam à paz são os da justiça, do amor, do respeito à pessoa do semelhante. Todos esses esforços humanos devem ser precedidos pelo encontro pessoal com Jesus. Não existe o empenho da paz sem esse encontro de fé.

A sociedade, de longas datas, vem deixando tantas pessoas à margem da vida, que de tão numerosas que são hoje pressionam e agridem pela violência indistintamente, tirando a paz dos outros. Eles fazem isso porque não têm nada a perder. Ao lado disso, a falta de educação e o enfraquecimento das instituições sociais os deixaram à mercê do subjetivismo, onde cada um se defende como pode. Resquício de um tempo que se proibia demais, que se agia pela força; agora, em reação, não existe mais limites, pois é “proibido proibir”.

Para encontrar o caminho da paz é preciso tecer o equilíbrio, fazer justiça, incluir quem vive à margem, dando-lhe as mesmas oportunidades dos outros: trabalho, saúde, moradia digna, escola de qualidade e valores como os da família. A propaganda do bem-estar e consumo é para todos, no entanto as oportunidades não o são. O resultado disso são os conflitos! Quem não tem quer ter, já que ter é direito de todos. Mas só uma parte tem de modo satisfatório. A parte que não tem, instigada pela propaganda que diz que a felicidade consiste em ter e consumir, vai em busca do tão difundido sonho consumista, custe o que custar. Quem não tem, para conseguir esse intento, vai tirar de quem tem. Consequências: roubo, assalto, corrupção, chantagens, drogas e tudo que não presta. A ética desapareceu quando se colocou o bem maior na posse e no consumo dos bens e não nos valores da solidariedade, da fraternidade e da justiça.


Dom Manoel Delson
Arcebispo da Paraíba

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