O povo ama o sacerdote


 11/02/2018 - Escrito para o Correio da Paraíba

Ser padre é um dom. Ninguém se torna sacerdote na Igreja de Cristo a partir de uma escolha pessoal - é Deus quem chama e a Igreja prepara e envia. E que mérito possui o jovem que se apresenta para ser padre? Não existe mérito nenhum! O chamado de Deus é um convite lançado sobre o coração dos jovens, e esses devem corresponder com convicção generosa. Nós só temos direito de apascentar, cuidar do rebanho do Senhor, se amamos o Senhor. O amor a Jesus Cristo sustenta o nosso ministério. É nele que nós somos configurados sacerdotes, é seguindo o que Ele nos diz que vamos cumprir a nossa missão e tudo o que fizermos como ministros dele deve ser porque O amamos. Não é por outro motivo, não é porque nós queremos atingir um “status” na Igreja, na sociedade, que nos tornamos ministros de Deus; não é porque a comunidade precisa de padres, nem é por isso! É porque nós tivemos um encontro com o Senhor e Ele nos atraiu, amou-nos e nos conquistou. O amor a Jesus desdobra-se na relação com as ovelhas, no pastoreio do povo de Deus. O povo responde a esse amor cuidando de seus sacerdotes. O povo ama o padre!

No ministério sacerdotal não cabe os valores mundanos, como: a vaidade pessoal, a projeção, o “status”, as vantagens... isso não faz parte da visão, da cosmovisão do ministro de Deus. E para isso nós precisamos contemplar onde foi que Jesus Cristo realizou, definitivamente, a sua missão sacerdotal: na cruz - despojado, sem nada de próprio, nu, ferido. Nós sabemos o retrato triste do Crucificado e Ele podia evitar tudo aquilo! Aceitou morrer na cruz para afirmar, categoricamente, o seu amor para com todos nós, para dizer a cada um: “eu te amo!”.

Jesus Cristo é o Sumo e Eterno Sacerdote do Pai, o Servidor da humanidade, que não guardou nada para si, entregou-se totalmente para nossa salvação. Aqui está a raiz do sacerdócio! A fecundidade do ministério sacerdotal nasce da Cruz. Não há coerência na vivência do ministério sacerdotal sem sofrimento, sem renúncia, sem sacrifício, porque, se fosse assim, não seríamos sacerdotes de Jesus. Nós pagamos um preço alto para viver o nosso ministério sacerdotal na renúncia: não casamos, não constituímos uma família, uma renúncia grande. Mas a fazemos no e para o amor, o celibato é um dom de amor e não de negação. Todo sacerdote que busca viver a alegria do celibato, imbuído da oração, torna-se uma testemunha do amor crucificado de Jesus!


Dom Manoel Delson
Arcebispo Metropolitano da Paraíba

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