Deus habita no silêncio


 14/01/2018 - Escrito para o Correio da Paraíba
Há poucos dias celebramos as festividades do fim e início do ano. Foram muitos os barulhos que nos cercaram com o intuito de expressar nossas alegrias e esperanças. Estivemos juntos com os parentes e amigos próximos brindando a renovação da vida. Tudo isso é muito bom e reaquece o calor das relações fraternas. Precisamos desses momentos para lembrar que é bom estar na vida do outro. Contudo, precisamos também reservar momentos de meditação e reflexão sobre a vida que levamos. Necessitamos parar o interior e deixar Deus habitar na nossa consciência e devemos fazer isso porque a “aventura” de viver requer uma reorganização de nossas metas, critérios e busca ordinária dos valores.
 
Para nós, cristãos, o silêncio é essencial para encontrar Deus em nossa vida. A palavra não é apenas o empenho do som; mas se trata de uma Pessoa e de uma Presença. Deus é a palavra eterna. O regime moderno não tolera o silêncio que brota da experiência da fé cristã - tem horror a tudo aquilo que lembra o recolhimento, os demorados momentos de oração e meditação. Recentemente o Cardeal Sarah lançou um livro chamado de “A força do silêncio: contra a ditadura do ruído”. Nas páginas dessa publicação o Cardeal africano denuncia a incapacidade dos ocidentais de repousar o silêncio nos lábios. O mundo moderno é por demais barulhento, não se atentou para os discretos feitos de Deus que se realizam no silêncio, não está mais educado na espiritualidade evangélica do grão de trigo, que inquestionavelmente morre silenciosamente depois que cai na terra.
 
Vivemos num complexo social que tem grandes dificuldades de fazer escolhas fundamentais e decisivas. Não sabemos mais permanecer no movimento discreto da decisão fundamental, decisão que nos cabe sempre nos momentos em que precisamos avançar na vida. O silêncio exterior e, principalmente, o interior mostra-se como o necessário caminho para a qualidade existencial; é nele que poderemos contemplar o extraordinário tão perseguido pelo homem contemporâneo: o extraordinário da vida humana está necessariamente envolto em silêncio. Aproveitemos o início de mais um ano para reservar bons momentos para a oração e meditação, recolhamo-nos em Deus e em sua santa vontade, e não nos faltará o encontro com Deus e conosco mesmo. Deus é sempre bom e habita no silêncio do nosso coração! Que Nossa Senhora das Neves, a Virgem do silêncio, favoreça-nos com sua intercessão, dando-nos a graça de sempre encontrar Deus na “aventura” dos nossos dias sobre a terra!

Dom Manoel Delson
Arcebispo da Paraíba

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